segunda-feira, 27 de maio de 2013

Menopausa.... Como foi receber a "notícia"




Menopausa aos 29 anos???
Antes do meu caminho para adoção, tive outra história que nunca contei, de luto, que ainda dói, e muito...

Acontece que em novembro de 2006 foi diagnosticado que eu tenho menopausa  precoce, eu tinha 29 anos na época e nunca tinha ficado grávida (o link que marquei tem uma leitura bem interessante que me identifiquei bastante quanto o aspecto fisiológico).

Ocorre que eu ia todo ano no ginecologista e contava que sentia calores seguidos de frio, sudorese, e outros sintomas mais íntimos e o médico dizia que era stress, emprego novo, fim de faculdade, isso se arrastou por pelo menos uns 3 anos, onde eu tinha a mesma queixa e a mesma reposta...

Toda vida ele tinha uma desculpa, e eu tola, não fui em outro para comprovar, procurar outras opiniões, até que um dia uma professora da faculdade me chamou de canto e me alertou que aquela sudorese e os calores seguidos de frio eram os mesmos sintomas da menopausa que ela estava passando (eu não tinha me dado conta que as pessoas estavam percebendo, pois eu tinha tantos fogachos seguidos que no final das contas não havia mesmo como não perceberem...), então marquei naquela semana de início de novembro a consulta.
O fogacho, ou calorão mais comumente chamado é a sensação  que comparo com a morte, vem um calor da altura dos seios até os últimos fios de cabelos e uma sudorese violenta, em questão de segundos, depois bate um frio, especialmente aqui no Sul que tem inverno rigoroso.

Fui no mesmo médico de sempre e me clamei dos tais sintomas e mais uma vez ele disse que era "coisa da tua cabeça", mas com o que a professora havia falado na minha mente, eu disse que queria exames, ele não queria dar, mas insisti e ele deu a contra gosto.

eu uso leque até hoje...
No dia 23/11/2006 eu voltei lá com os resultados dos exames, é claro que eu havia lido e não entendido nada, e ele começou a análise e de repente ele ficou sério e disse:
"Aqui tem uma surpresa para mim, tu realmente tinha razão"
Ali eu senti que a coisa não era boa pro meu lado, mas fiquei com cara de paisagem esperando pelo veredito, não tinha real dimensão do estrago que ia se dar na minha vida as palavras seguintes do infeliz... Ele disse e escrevo com a precisão de quem nunca vai esquecer as palavras mau ditas:
"Tu está na menopausa, segundo teu exame pós menopausa"
Eu perguntei o que queria dizer ele respondeu mais ou menos assim "quer dizer que nunca tu vai ser mãe, tu não tem óvulos, existem alternativas para fertilização, que se pegar um óvulo de outra mulher e fertilizar com espermatozoide de teu marido e implantar em ti vai crescer, mais não vai ser nada teu".
Me fechei em meu casulo, me guardei em mim mesma por anos...

O resto que ele falou eu quase não ouvi, pois foi como a morte para mim, naquela hora o filho tão querido e sonhado que eu tinha morreu, me senti castrada, suja, menos mulher, feiosa, tudo ao mesmo tempo como uma explosão de milhões de estrelas, fiquei imóvel, mas berrava por dentro e o médico continuava dando instruções e fez uma receita, lembro que ele perguntou se eu havia entendido... sim claro "doutor", ele me disse que eu havia reagido bem, mandou tomar os remédios e voltar em 15 dias.

Nunca voltei nele, comecei a peregrinação por todos médicos que a UNIMED tinha cadastrados na região, perdi as contas em quantos fui, nunca contava que sabia o meu problema, repetia os exames, e todos sempre educadamente me contavam o problema, com humanidade, mais eu sempre fiquei com as palavras do infeliz que me tratou anos "tu nunca vai ser mãe".

Lembro detalhe por detalhe do que aconteceu naquele dia, cheguei em casa e não contei pro marido, ele é professor também e me contava as coisas da escola eu não ouvia, não sentia, não via, comi sem mastigar, nem sei como engoli, via sem enxergar, ouvia sem ouvir, eu estava num vácuo, como se fosse uma bolha, vazia, oca, estéril, castrada...

A explosão que o médico ficou feliz em não ver se deu quando cheguei na minha escola e vi as mães chegando com os filhos para o período da tarde...
Foi o meu 11 de setembro... Meu inferno pessoal começou ali...

Não vou me ater essa parte... Mas foi a primeira vez na vida que perdi o juízo, depois disso nunca mais fui a mesma pessoa, fazem 6 anos, quase 7 de diagnóstico, quase 10 o tempo do meu casamento em menopausa, e não me acostumei, sempre digo que é um luto sem o morto...

São 6 anos que choro por não ter meu bebe, por não sentir a vida pulsar dentro de mim, por me sentir menos mulher que as outras, a sensação é de castração física e mental.

Não sei se um dia vou superar essa tristeza de não gerar meus filhos, de não senti-los dentro de mim, é um sentimento de perda, de morte... É como eu sinto, uma morte, procuro não pensar mais nisso como pensava antes, resolvi canalizar minhas energias a outros projetos, novos valores e novas histórias.

Há um tempo atrás, uns dois anos mais ou menos eu passei a utilizar mais a internet em casa (eu usava antes para jogar no Orkut), utilizar para valer, para ver o que as pessoas estavam falando do mundo, voltar a interagir com as pessoas, sair da bolha que criei para mim mesma, foi então que clicando aqui, clicando ali, não sei como descobri a Joana e a Vitória de Cristo, a Cris, o Edinho e o Vini, e outros blogs que fui e vou acompanhando até hoje. Eu já tinha um blog, mas nunca havia escrito nada nele, só criei fiz um post e ficou ali a conta parada, e com ela eu ficava vasculhando outros blogs e lendo as histórias das pessoas, histórias reais, de gente como eu, não fantasias de livros de ficção que eu lia sempre.

O amor da Joana e do Marcelo pela Vitória de Cristo era e é tão grande, puro, incondicional, tão tudo que eu fiquei maravilhada por descobrir que ainda existem pessoas com coração puro nesse mundo tão cruel e injusto, e meu coração magoado começou a despertar com as histórias que a Joana contava do dia a dia da filha, de início só lia, não comentava nada, ria e chorava com os progressos da princesa. Quando ela partiu (este link a Joana conta como foi meses depois de ter ocorrido o falecimento da gatinha), em 17 de julho de 2012, eu como sempre abria o painel do blogger e ia logo ver as novidades da Vivi, a morte dela foi um choque para mim, chorei como há muito não chorava. Tenho saudades dela como se fosse alguém que tive em meus braços, torço muito pela felicidade da Joana e do Marcelo.

O outro blog que muito me ajudou a superar a minha tristeza, é o da Cris, onde ela com sua fé inabalável conta a história de seu filho Vinícius, portador de ALD. Não vou me prender na enfermidade do menino, mas sim no exemplo de mãe e esposa com uma fé e um amor em Deus inquestionável, no blog da Cris eu reencontrei e minha fé que estava abalada e um tanto esquecida ( não vou ter vergonha de contar que nem as orações antes de dormir eu fazia mais). A Cris fala de Deus e profetiza a cura do Vini com tanta fé e força que hoje eu tenho vergonha de pensar que um dia eu tive dúvidas quanto o amor de Deus na minha existência.

Assim, com ajuda do médico que vou, com a família, com amigas virtuais e outras amigas pessoais ( não vou nomear para não deixar ninguém de lado) eu fui superando o luto e voltei a me cuidar, me enfeitar e resolvi junto com o Paulinho que já estava na hora de entrarmos na fila de adoção, então em 8 de maio de 2012 entramos com a papelada no Fórum de Sombrio, mas isto eu já contei neste blog.


Imagem do link que marquei no início, a mulher na menopausa fica com o corpo como uma maçã, muda tudo na gente, desde o cabelo até a pele.




5 comentários:

Cantinho da Marina (Bibi) disse...

Querida,
Esse médico pisou na bola com você. Nossa, era de processar por brincar com algo tão importante. Se você estava reclamando, custava dar exames? O que ele perderia com isso?
Quando eu descobri que tinha endometriose, foi meio parecido. em agosto de 2001 eu fui no meu então gineco de sempre e reclamei de dores no pé da barriga e muitas cólicas. Ele não deu muita bola e disse que cólica era normal.
Em dezembro do mesmo ano eu resolvi procurar outro médico e ele me examinou e já viu coágulos no colo do útero e suspeitou de endometriose e fizemos, então, uma videolaparoscopia. Resultado: eu já estava no último estágio da doença e por pouco não teria virado um câncer.
Felizmente deu tempo de tratar, mas as sequelas ficaram. Tanto que tive dificuldades em engravidar porque as trompas obstruíram.
Nem FIV adiantava.
Mas na hora certa, engravidei naturalmente.
Sei que com vc isso não acontecerá, mas mãe é aquela que cria e não a que coloca no mundo. É aquela que educa, dá amor, carinho, atenção.
Não sei se você acompanha o blog da Lene (está no roll dos meus blogs "Tô bege"). Ela conseguiu adotar há poucos meses e está realizada.
Então acho que ela é um exemplo de que o amor nasce com a adoção. Que algo está reservado para nós. Algo bom e que nos fará crescer!
Um grande beijo e tudo de melhor pra vc sempre!

PS: eu estava na praia na semana passada, mas estava sem net e não vi teu comentário. Uma pena! Mas teremos outros momentos e vamos combinar. Bjo!!!

Joana disse...

Querida Jack, primeiramente muito obrigada pelo seu carinho e amizade demonstrados tantas vezes no blog da nossa princesinha Vitória! Suas palavras são muito especiais para mim!
Sinto muito pelo seu luto, pela dor que aumentou ainda mais pela insensibilidade de seu primeiro médico. Eu pouco havia ouvido a respeito de menopausa precoce, certamente é algo que poderia ser mais divulgado, pela dificuldade de diagnóstico.

Tenho certeza que Deus tem algo muito especial reservado para vocês. Sabe uma coisa que aprendi com a nossa amada Vitória (que aprendi em meio a dor e lágrimas) é que Deus nos ama tanto, que Ele só permite uma adversidade, uma perda, que algo saia diferente do que esperávamos e nos cause tanta frustração, porque isso tem um propósito muito especial em nossas vidas. Mas até entendermos esse propósito, somente o Seu amor pode nos suprir, porque sei que a dor de uma perda tão grande não pode ser consolada em palavras.

Ao ler o seu relato, lembrei também de um artigo que li no Blog da Beri, que fala sobre esse tema, do luto causado pela infertilidade, achei muito bom, se quiser ler está aqui:
http://beriquerserfeliz.blogspot.com.br/2008/03/merece-um-post-leiam.html

Beijos e um abraço bem carinhoso!

AMOR SEM FIM disse...

JAQUELINE, QUERIDA
RECEBA MEU FORTE ABRAÇO.QUERIA DÁ-LHE PESSOALMENTE,MAS SINTA-O COMO SE FOSSE.TE ADMIRO CADA VEZ MAIS.SEI QUE NÃO DEVE TER SIDO FÁCIL,PASSAR POR TUDO QUE RELATOU, E AINDA NÃO ESTÁ SENDO, MAS VOCÊ ESTÁ CONSEGUINDO ENCONTRAR UM CAMINHO PARA SER FELIZ.QUERO SEGUIR SEU EXEMPLO, SEI QUE SERÁ MUITO DIFÍCIL,MAS QUERO TENTAR,PORQUE SEI QUE NÃO SOU A ÚNICA PESSOA NO MUNDO QUE SOFRE.TEM HORAS QUE A GENTE PENSA QUE SÓ NÓS TEMOS PROBLEMAS E AÍ VAMOS OUVINDO AS PESSOAS COM SUAS HISTÓRIAS, DE TRISTEZAS E SUPERAÇÕES.E ISSO NOS DAR UM CHOQUE, É COMO SE FOSSE UM ALERTA PARA NÃO DESISTIRMOS.VOU CONTINUAR REZANDO E TORCENDO MUITO PARA QUE TUDO DÊ CERTO E VOCÊS POSSAM EM BREVE TER SEU(A) FILHINHO(A) NOS BRAÇOS.
BEIJOS
PAULA

Cris disse...

Jack
Puxa! Fiquei triste ao ler suas palavras, saber o quanto vc sofreu e ainda sofre c/ a situação.
Mas, por outro lado, fiquei feliz pelo fato de vc ter se encorajado a seguir em frente, fico feliz em saber q o meu blog, q a nossa história real, de tristeza e tb de superação, tem te ajudado a superar tb os percalços da vida.
Com tudo o que eu já vivi, com o que os meus olhos de mãe já viram, meu filhote lindo, saudável, perfeito, brincalhão, chegar ao ponto de ficar sobre uma cama, sem reação alguma, sem interagir conosco, eu aprendi que as dificuldades vêm p/ forjar o nosso caráter, p/ nos transformar em pessoas, incomparavelmente, melhores. Mas, não é a luta em si que nos transforma, é a nossa posição diante da situação. Somos nós quem decidimos se vamos levantar a cabeça e seguir a diante ou se vamos nos afundar numa cama e desistir da vida.
Qdo escolhemos a 1ª opção, aí, a força vem, a coragem vem, a fé vem.

Do fundo do meu coração, eu creio em um Deus que pode colocar um filho do coração em seus braços. Mas, eu creio em um Deus q pode restaurar o seu útero, restaurar a sua saúde e te fazer gerar um filho no seu ventre, fruto do seu amor pelo Paulinho. Tenta, enquanto espera na fila da adoção, pedir p/ Deus tocar no seu ventre.
Na comunidade onde congrego, há muitas mulheres q não podiam ter filhos e hoje estão c/ seus filhos naturais nos braços. Todas dão testemunho do poder de Deus.
Eu tenho uma amiga q não segura a gravidez, ela teve 04 abortos, mas, ela crê num Deus vivo e não desistia de clamar a Ele. Hoje, ela tem a Sara, uma filha linda de 02 aninhos. A Sara é um milagre de Deus!
Amiga, são palavras de uma mulher sofrida, mas, sustentada e renovada por Deus. Ele acrescenta minha fé toda manhã, mas, eu peço isso a Ele. São palavras de uma amiga q quer te ver feliz, quer te ver bem e realizada. Eu oro por ti.
Bjinhos carinhosos!



Helena disse...

Ola boa noite
procurando assunto pro meu trabalho de obstetricia cheguei aqui no seu blog , muito interessante o assunto
que ajudara muitas amigas
os medicos formam mas aprendem mesmo é com nossa historia de vida
pois muita coisa pra eles ainda sao escuras. voltarei outras vezes pra passear pelo seu blog
Deus com certeza preparou algo muito bom pra ti
pois Deus sabe tudo
abraço pra ti
fica com Deus
venha me visitar
ficarei muito contente!!!